A tradicional caixa de cerveja

Em um balcão de apostas de jogo de futebol, sentavam um velho palmeirense, um adulto são paulino e um jovem corintiano. Todos maiores de 18 anos, logo poderiam apostar cerveja. Apostaram.

Eu, que gostava de futebol, só não tinha time fixo, sempre fui de torcer pro campeão, observava aquilo no alto da minha invisibilidade pública. Ninguém prestava atenção em mim. Só me olhavam pra perguntar as horas ou pra me pedir moedas, no caso de mendigos. Coisa que, no começo, foi triste de constatar, mas depois percebi que se tratava de uma benção, pois podia ouvir conversas alheias tranquilamente, como aquela:

– Não é homem pra apostar é? Essa barbona toda pra que então?

– E o senhor já deveria estar na idade de saber que isso é fria.

– Fria?

– Preste atenção em como você fala com os idosos.

– Que isso não presta, que vai dar em coisa errada.

– Largue-se a mão, rapaz! Ja vivi quase quatro vezes mais que você! Sei o que é bom e o que faz mal. Vamos, uma caixa de cerveja!

– Não. O senhor não sabe o que diz.

– Arriégua! Vamô, largue-se a mão!

– Da minha parte, eu aceito.

– Até tu vai entrar nessa? Também já és crescido para saber sobre a armadilha dessas coisas.

– R$ 50,00 não me farão falta.

– ….

– Vamô rapá! Honre essa barba e faça-se homem!

– …tá bom.

E rendeu-se. Décadas mais tarde, se encontrava perdendo 200 reais pra um motoqueiro, já sem mulher, nem amigos, nem família, apenas com seu cachorro, o Tolstoi.

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