Pra quebrar o gelo

J.J. Poltro,

Não te dignifiques em saber que me encontro triste. Minhas lágrimas, com uma frequência cada vez maior, derramam-se pelos caminhos do meu rosto, enquanto vago por ruas e vielas na companhia do Tâmisa e de seus ventos gelados. Está noite, está frio, e não tenho mais braços pra me acalentar. De todas as escolhas erradas que fiz nestes longos anos de juventude, já me está bastante evidente qual foi a maior de todas. Agi como garota boba e mimada, tenho que admitir, e não medi o futuro que se avizinhava.  Um futuro sem você.

Não quero me enrolar com súplicas melosas, por isso sou sucinta: me aceite novamente, J.J.!

Minha caravana retorna à Lisboa em 10 dias. Espero que nos encontremos tão cedo eu cruze os portões da cidade.

Da sua ainda admiradora

Luísa Candeias Barbosa

Londres, 27 de fevereiro de 1801

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