Um curioso caso no hemisfério sul do planeta

Magníficos e magníficas, saibam, pois, que retorno do esconderijo onde por muito tempo me escondi para finalmente experienciar as glórias dos abençoados. Foram anos e anos de isolamento, é verdade, de sentimentos que beiravam a loucura, mas nada nessa vida é pra sempre, já dizia o poeta. Perguntarão quem eu sou, o que andei fazendo, por onde estive, e as respostas não serão facilmente concedidas. Mas já adianto uma coisa: a culpa não é minha!!

Estive a voar por castelos erguidos por emoções das pessoas que trabalham, a caminhar pelos caminhos abertos na mata da soberba. Sabe-se, porém, que tudo foi muito mais simples que as palavras podem explicar. É uma questão de conotação.  De sentido figurado. A vida é muitas vezes malgrada, mas em outras tantas tem lá seus momentos de magnitude.

Durante a ausência, um tanto quanto forçada, um tanto quanto espontânea, pude aventar-me por belas letras maravilhosas, dessas que nos tiram do chão e nos alçam às alturas. Experimentei os ares das montanhas incas pela primeira vez e posso lhes assegurar que são ares diferentes. Respirava fundo e meus pulmões se preenchiam de uma forma única, ímpar e singular, de uma forma que me fez até estranhar no princípio, mas que logo na sequência já me era extremamente agradável. Minha gente do meu coração, a experiência foi-me tão radiante que quero que prestem atenção no seguinte: quero que prestem atenção nos ares puros quando cruzarem com eles.

Quero que prestem atenção nas profundezas do mar e na umidade da floresta. Alcei vôos altos, é verdade, mas ainda assim um pouquinho da perna permanecia no térreo. Por isso sei muito bem do que estou falando – e malditos são aqueles que me contestam ou que me condenam.

No princípio era o verbo. Depois, o voo.

Outro fato misterioso e bonito de se contar foi quando perambulei por manequins falantes e não entendi muito bem porquê. Dizem-me que era obra de um amigo, um amigo misterioso, que dava vida à manequins, e, pior, os faziam falantes. Fato que me perturbou um pouco de início, tenho que confessar, mas depois me acostumei. Afinal de contas, são tantas as loucuras pelas quais me deparo diariamente nas páginas amareladas das revistas, que, com o tempo, a gente se habitua a tudo, sem excessão de raça, credo ou time de futebol.

Ouvi também o tão falado Concerto do Universo. Obra de Deus, dizem, mas que contou com a presença de outros astros de grande porte e igualmente venerados pelos povos de nosso planeta. Lembra-se da história que a música é magia? Diria mais: a música é uma ponte! A ponte que nos liga ao plano etéreo e magnífico que dizem existir em alguma realidade paralela. A música que nos faz sentir a alma em determinados momentos e acho que é disso que se trata a música. Pois imaginem o que foi o grande Concerto do Universo!!

E, por último, mas não menos importante, lancei-me em corridas extravagantes por certos cantos do país. Conheci gente nova e bonita, outras feias e chatas, outras feias e simpáticas, e outras barbadas e inconvenientes. Cada vez mais sinto que o mundo é mais heterogêneo do que penso, e vejo isso com bons olhos, por incrível que pareça. O leque de escolha é interminável. Assim, meu nobre povo, podem ter certeza de que nunca terminaremos sozinhos. Basta que tenhamos a coragem de sairmos de dentro de si, como já dizia, novamente, um velho e barrigudo poeta.

Me despeço de todos e de todas (muito obrigado pela atenção dispendida até esta altura!) com uma frase que li no parachoque de um caminhão, enquanto voltava de minha viagem ao planalto central do Equador:

A maior de todas as pobrezas é a de espírito. Sejamos grandes, sejamos nobres, ainda que do nosso jeito.

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One Response to Um curioso caso no hemisfério sul do planeta

  1. naoexistemprofetas disse:

    Parabéns pelo texto jovem.
    Ontem, lendo, fiquei emocionado com as citações vindas do naoexistemprofetas.
    Até o proximo texto hein….

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