Hoje, ontem, não me lembro.

Hoje, cai da bicicleta. Ou acho que foi ontem, não lembro.

Finalmente, depois de 8 meses, a cidade conseguiu me marcar. Bem no joelho destro e no tornozelo esquerdo. Fazia tempo que não via meu próprio sangue, e lá estava ele, vermelho e teso como sempre esteve. Levantei assustado, grogue, embevecido por adrenalina. Mas até que por um lado foi bom: minha vida estava mesmo precisando de emoção.

Me recompus, levantei-me a mim e a ela e comecei a avaliar o acontecido. Não houve sequer a premeditação da queda: de repente o chão ficou mais fundo do que deveria. A roda da frente caiu, a de trás alçou vôo e eu segui o trajeto costumeiro. Testei a gravidade e posso dizer agora que ela continua a mesma. Malditos desníveis invisíveis, pensei. Um deles havia cruzado o meu caminho.

Benditas luvas. Não fossem elas, presente da minha mãe visionária, provavelmente estaria sem as palmas da mão agora. Foram as primeiras a fazer contato com o asfalto paulistano. Do chão não passa, costuma dizer minha vó. Do chão não passei.

Mas agora vou dormir com dor. Uma dor que me lembra a infância, quando ralava o joelho uma vez por dia.

 

E hoje terminei seu Women

 

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