Diploma

Rolou uma certa ironia nesta última quarta que fazia tempo que não rolava. Foi justamente nesse dia que busquei o meu diploma de jornalista; e também justamente nesse dia ele se tornou, uma vez mais, obrigatório para o exercício da profissão. A decisão foi tomada pelos senadores deste País.

Vejo que muitos colegas compartilharam a notícia como vitória, e, se numa primeira impressão é isso mesmo que parece ser, com um pouco mais de reflexão veremos que não, não o é. Eu, que já fui a favor da obrigatoriedade em remotos tempos, hoje aderi ao coro dos que bradam contra.  Percebi que se trata apenas de uma medida corporativista pra se criar uma injusta reserva de mercado pra um grupo limitado de pessoas.

É só ver o nível de jornalismo feito na grande, média e pequena imprensa pra constatar que diploma não garante qualidade alguma. Aliás, dizem, tal obrigatoriedade é coisa que só acontece em um único país do mundo: o nosso.

Ainda mais hoje com blogs, imaginem uma situação anacrônica. Fulano de Tal, bancário, mantém um blog no qual produz notícias sobre o cenário político de sua cidade, Pirapozinho do Sul. Eis que chega um juiz qualquer e lhe manda fechar o blog. Porque ele não tem diploma de jornalismo.

O pior é que eu já vi algo similar na internet. Uma menina mantinha um blog noticioso e fez um post reclamando de um comentário feito pelo sindicato de jornalistas de algum estado. O sindicato lembrava justamente o fato de que a produção de notícias é prerrogativa apenas de pessoas diplomadas em jornalismo.

Uma pena muito grande que não gravei o link deste post em questão. Tenho certeza que trazendo-o a público conseguiria demover uns 80% das pessoas que são a favor do diploma, de tão bizarro que ler aquilo foi.

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5 Responses to Diploma

  1. Danilo Bueno disse:

    Basta para isso trazer a obrigatoriedade para a realidade. Quando se define que é necessário o diploma de jornalismo para o exercício da profissão, existe espaço ainda para definir o que é o exercício da profissão. É óbvio que alguém não pode ser impedido de escrever em um blog pessoal por não ser jornalista, isso não quer dizer que alguém que escreve em um jornal de grande circulação, ou trabalha na assessoria de imprensa de um órgão público pode ser uma pessoa de qualquer área. Apesar de terem características semelhantes as duas atividades não são a mesma coisa.
    Isso é importante para os jornalistas se verem como categoria, para que seja possível pleitear alguma melhoria nos cursos e nas condições de trabalho, para desenvolver academicamente o campo de estudos, porque apesar de muita gente pensar a comunicação como uma atividade unicamente prática, há muito o que se estudar por trás.

    • Levando em conta que o diploma foi obrigatório da Ditadura até uns 2 anos atrás, esse argumento é, no mínimo, falacioso. Noblat, PHA, Nassif e cia mandam lembranças. A Veja, Folha, Globo e cia, idem. Ótima reflexão, aliás, João!=)

      Vale lembrar que nenhuma categoria o é para si apenas. Jornalismo é função pública, ou melhor, presta serviço ao público e não para si e para patrões. Logo, o que parece ser – “corporativistamente” falando – melhor para uma categoria não é, no fim, o melhor para o público – e de certa forma nem para lea própria, pois se fecha em uma casta iluminada que não evoluiu. E a história prova.

  2. Olha, eu sou a favor do diploma, mas não acho que as pessoas sem formação devam deixar de ter seus blogs, nem parar de ajudar a divulgar informação. Só acho que tem que haver regulação porque, caso contrário, o jornalismo fica sucateado. Isso não é bom pros jornalistas, nem pro público.

  3. Stripolias disse:

    Tenho tendência a concordar com as pessoas contra a obrigatoriedade do diploma (mas não tenho opinião formada sobre o assunto). Mas achei prudente fazer uma observação: ter um blog noticioso não caracteriza o autor como jornalista, logo, ele não pode ser impedido de mantê-lo por não ter um diploma. ele é um redator. Portanto, não faz sentido um sindicato pleitear o fechamento do mesmo.
    E ainda não está em vigor. A PEC do Diploma deve passar pela aprovação da Câmara, conforme o funcionamento do legislativo do país. Após discussão, se não alterada, é posta em votação e, caso aprovada, é levada para sanção da presidente. Se alterarem qualquer vírgula, volta pro Senado reelaborar, rediscutir e começa tudo de novo.
    E mais um argumento: publicitários também não têm obrigatoriedade do diploma e, pelo menos no meu meio (internet), é a profissão que mais bem paga por aí.
    Bjos.

  4. João Ricardo disse:

    Sobre a definição de jornalismo. Se fazer jornalismo é a publicação de notícias de forma periódica, um blog pode ser sim plataforma pra atividade jornalística.

    Sobre o lance de se ver como categoria, convenhamos, não é a exigência do diploma que cria ou descria isso. Pensem em todas as categorias que não exigem diploma e que existem por aí.

    Abs!

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