Acabaram as coroas de flores em Santa Maria

Para além da questão de ter sido um desastre anunciado, fruto de uma cultura de displicência quando o assunto é a segurança de multidões (Matheus Pichonelli e João Brant abordaram muito bem esse aspecto), a tragédia de Santa Maria acabou por me suscitar também pensamentos que vão um pouco adiante. Pensei sobre a comoção nacional – melhor percebida na conversa com nossos amigos e familiares e em nossas timelines de Facebook – e a noção de nacionalismo que permeia tudo isso.

Afinal, por que a morte de mais de 250 desconhecidos no sul do Brasil nos perturba tanto, mas a morte de mais de 300 outros desconhecidos no Paraguai e a de outros 175 desconhecidos na Argentina não?

Alguns podem acusar a intensa exposição midiática a qual somos submetidos em uma situação dessas, fato que intensifica o nosso senso de identidade com os envolvidos na tragédia, e assim faz com que a dor decorrente também seja sentida por nós. Mas e o fato de terem sido brasileiros (e não paraguaios nem argentinos nem chineses etc etc) ajuda no estabelecimento dessa empatia com as vítimas?

A resposta é um evidente “claro”. E é aí que decorre a perversidade da coisa – quando damos mais valor à vida de alguém apenas pelo fato deste/desta ter nascido dentro das mesmas fronteiras que nós.

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One Response to Acabaram as coroas de flores em Santa Maria

  1. Anônimo disse:

    São vidas, idependente da nacionalidade.

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