É fogo que arde sem se ver

Estudar é se isolar. É ficar alheio ao tempo, aos amigos, à internet. É vivenciar um mundo abstrato, etéreo, aquele pertencente ao campo das ideias, onde a regra da física não se aplica – mas sim uma própria e particular, uma regra cognitiva.

Estudar é pensar, é voar. É viajar. É conhecer palavras novas, concepções vanguardistas, passagens brilhantes. É criar empatia pelo autor, raiva da autora, é ter sono, preguiça, é enfrentar a tentação da distração.

É fogo que arde sem se ver estudar. Estudar é amor, é ódio, é massagem para o pensamento, é musculação para o cérebro. É cansaço. É determinação, são olhos, é cheiro de papel novo, poeira. São insights, frustrações, eurekas, plágios.

Estudar é rabiscar a folha, é ler, reler e treler. E fazer tudo isso de novo.

E de novo.

E de novo.

Estudar é digerir o aprendido, é expor à prova, fazer a auto-crítica, reconhecer o erro. É crescer, é inteligência, é burrice, é tempo perdido. É tempo ganho.

Estudar é cadeira, mesa, computador, xerox, armário lotado, mochila pesada, livros sem páginas, caneta marca-texto, é fome, dor nas costas, é deitar e dormir.

Em suma: estudar não é para qualquer um.

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