A tropa

27 27America/Sao_Paulo janeiro 27America/Sao_Paulo 2014

Sozinho no meio da multidão, ele correu ao som do primeiro estampido, mas correu errado. A intenção era a de fugir da tropa, mas não, ao invés, foi ao encontro dela. “Ela” estava por todos os lados, dividida em pelotões, bem equipada, treinada, e sob o cinza escuro que impele o medo. Tentou voltar, mas lá estava Ela de novo. A tropa. Sob o cinza escuro que impele o medo, pôs-se a disparar, não uma nem duas, mas várias e diversas balas e bombas de se dispersar multidões. Na rota dos projéteis, ele, aturdido, indefeso, sequelado pela tranquilidade de horas antes. Ensurdeceu-se, tomou uma, duas, três, resolveu correr, para os lados, rumo a muros e portões, onde não havia tropa. Que avançava, dos dois lados opostos, sob o manto da ubiquidade e mantendo a firmeza da bateria anti-multidões. Gritos. Urros. Pés e cabeças. Ele, sequelado, e agora ferido, lembrou-se do maior legado da espécie, o instinto de sobrevivência. A adrenalina se jogou nas veias, a força descomunal surgiu, e como nunca antes na vida, escalou um portão que jamais imaginou que escalaria. Pulou. Se escondeu. E lá ficou, até a tropa passar.


Um balanço sobre a gestão Haddad e a população em situação de rua de SP

8 08America/Sao_Paulo janeiro 08America/Sao_Paulo 2014

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No fim do ano passado, em seu blog Cidades Para Quem, o urbanista João Whitaker fez um balanço sobre os 12 primeiros meses da gestão Haddad em São Paulo. No texto, João elenca problemas, acertos e desafios, e conclui com uma avaliação positiva do novo governo, sobretudo se comparado ao “desastre” que foi a administração Kassab.

Entre os elogios às novas políticas da gestão Haddad, João menciona a temática da população em situação de rua. Diz o urbanista:

A prefeitura mudou radicalmente também a postura da Guarda Civil Metropolitana, que há pouco tempo atrás era vista jogando água fria de madrugada nos moradores de rua. Nesta gestão, foi vista fazendo a guarda de honra para a mesma população, no Salão Nobre da Câmara, por ocasião do lançamento da inédita  Política Municipal para a População de Rua.

Tendo trabalhado desde abril/2013 em uma ONG que atua diretamente com a população em situação de rua de São Paulo, e que inclusive ocupa espaços onde são discutidas políticas públicas para o setor, me senti na obrigação de contestar esse tom elogioso (o qual credito a uma compreensível falta de ciência dos fatos por parte do autor do texto). Isso porque, infelizmente, as políticas da gestão Haddad para a população de rua se mostraram muito ruim – e essa é a opinião de boa parte da sociedade civil.

Mas o que para ser um simples comentário em um blog acabou se saindo um longo texto de balanço em que tento listar um por um todos os problemas ocorridos em 2013 e que tive conhecimento relacionados às políticas municipais para população de rua de São Paulo. Leia o resto deste post »