A tropa

Sozinho no meio da multidão, ele correu ao som do primeiro estampido, mas correu errado. A intenção era a de fugir da tropa, mas não, ao invés, foi ao encontro dela. “Ela” estava por todos os lados, dividida em pelotões, bem equipada, treinada, e sob o cinza escuro que impele o medo. Tentou voltar, mas lá estava Ela de novo. A tropa. Sob o cinza escuro que impele o medo, pôs-se a disparar, não uma nem duas, mas várias e diversas balas e bombas de se dispersar multidões. Na rota dos projéteis, ele, aturdido, indefeso, sequelado pela tranquilidade de horas antes. Ensurdeceu-se, tomou uma, duas, três, resolveu correr, para os lados, rumo a muros e portões, onde não havia tropa. Que avançava, dos dois lados opostos, sob o manto da ubiquidade e mantendo a firmeza da bateria anti-multidões. Gritos. Urros. Pés e cabeças. Ele, sequelado, e agora ferido, lembrou-se do maior legado da espécie, o instinto de sobrevivência. A adrenalina se jogou nas veias, a força descomunal surgiu, e como nunca antes na vida, escalou um portão que jamais imaginou que escalaria. Pulou. Se escondeu. E lá ficou, até a tropa passar.

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