Medo

O medo que Marcinho sentia por Renata era algo de outro mundo. Nem escalar até o galho mais alto da jabuticabeira, aonde só ele dos meninos da rua ia, lhe causava aflição maior. Não se tratava, no entanto, de um medo de punição, a causa-mor dos medos, como o filho que teme ser pego pela mãe burlando o castigo. Renata era da classe de Marcinho, muito menor, mirrada, e sem o menor dos dotes para punir quem quer que seja. Seus olhos verde-água, grandes, estridentes, mais sua franja derramada pela testa, uma reminiscência da infância, e sua pele alvíssima, quase transparente, combinados ainda com uma voz de personagem de desenho Disney, na realidade apontavam se tratar do mais inofensivo dos seres. O medo de Marcinho era outro; residia apenas na hipótese de encontro com a dita cuja. Pois era só estarem em um mesmo ambiente que o rapariga, de só 15 anos, já punha a contorcer-se com as borboletas que subitamente povoavam seu estômago. Vinha então o descontrole, a sudorese e o branco na mente. Renata dizia “oi” e Marcinho mal podia lembrar qual a resposta padrão para o enunciado.

Marcinho estava apaixonado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: