god damn

A pressão do horário é tenebrosa demais para alguém que deseja fazer tantas, mas tantas coisas. Desde os compromissos inadiáveis, passando por tarefas domésticas costumeiras, até programas extraordinários, daqueles que dão sabor à vida, que geram comentários por tempos em mesas de bar, em conversas de metrô na saída do trabalho.

Esse é o problema de se gostar de tanto, de se expor a tanto. Se por um lado é um dilema moderno, decorrente da dialética da expansão das forças produtivas, por outro é uma realidade que nos agride, que abala nossa ideia de plenitude d’alma– e é disso que resultam as inquietações, dessas que nos põem a escrever.

Eis então que surge uma mudança de postura. Um gesto de sobrevivência frente à ameaça dos desejos não preenchidos. Afinal, sabe-se há muito, sobretudo os vinteanistas mais experientes, que os que se imbuem dessa angústia não podem muito viver mais. É nesse despertar que passamos a aceitar nossa reles e impotente condição humana. Em um processo lento, demorado, às vezes doloroso, mas essencialmente libertador.

Uma pena que ainda não haja pastilhas para isso, menos ainda gotas medicinais para se misturar na água. Trata-se de algo que vem única e exclusivamente da consciência, esse emaranhado cognitivo que muito nos atraiçoa, mas que às vezes consegue, como que por um acaso do destino, resolver problemas que há muito tutelavam dramas existenciais.

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