Bibliotecas

19 19America/Sao_Paulo maio 19America/Sao_Paulo 2014

Bibliotecas, para mim, sempre tiveram uma conotação de espaços pró-forma – isto é, a sua existência apenas se dava tão somente para se dizer que se havia uma biblioteca. Por muito tempo, talvez desde quando passei a ter internet, e os trabalhos de escola passaram a ser possíveis de serem feitos de casa, não conseguia ver utilidade alguma nelas.

Pessoas que tiram livros? Não conhecia nenhuma. Na minha cabeça, só alguém muito estranho para fazer isso – gente extremamente nerd, de hábitos completamente estranhos.

Mas depois envelheci e eu mesmo passei a ter hábitos estranhos – como gostar de ler. E aí redescobri a biblioteca como um lugar para se ler sem precisar gastar dinheiro.

E aí voltei a frequentá-las. E descobri que não, não se tratam de espaços pró-forma, muito pelo contrário.


O frio vem que vem

12 12America/Sao_Paulo maio 12America/Sao_Paulo 2014

Há quem se deleite com a chegada do frio. Eu não. Odeio dormir de meias e com camisa de manga longa. Odeio vestir blusa pra sair. O desconforto pós- banho quente. A roupa que demora dias pra secar. O calor não. O calor é dormir mínimo, é o chinelo nos pés, a regata. Não falo, obviamente, do calor extremo – nenhum extremo é bom. Mas entre os dois extremos, calor e frio, fico com o calor. Há quem fique com o frio. Eu compreendo, mas acho estranho. De um anti-tropicalismo que salta aos olhos. Sou mais o torso nu ao edredon.

 


Sobre a treta na Ucrânia

5 05America/Sao_Paulo maio 05America/Sao_Paulo 2014

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Na treta da Ucrânia, onde uma disputa inter-imperalista sinistra, entre Rússia e Otan, se desenrola sem previsão para acabar, é fato que Putin perdeu capital político, mas também é fato que ele ganhou algo. Difícil é calcular o saldo.

Putin perdeu quando seu presidente-marionete, Viktor Yanukovitch, foi enxotado da Ucrânia por uma rebelião popular, fazendo com que a influência russa no país evaporasse. Em seguida, porém, em um lance de mestre digno da melhor linhagem de enxadristas russos, logrou anexar uma porção do território ucraniano, a Crimeia, se valendo para isso de milicianos infiltrados, ao passo que negava, cinicamente, qualquer relação com eles. Somado à aplicação de um referendo em uma região de maioria étnica russa, criou-se então um fato praticamente consumado, enfraquecendo qualquer ímpeto de reação. Nada mais genial.

Agora os mesmos milicianos tomam prédios públicos de outras cidades do leste da Ucrânia, atraindo a repressão militar do governo central, o que deve gerar o pretexto que a Rússia quer para a incursão de 40.000 de seus soldados que coçam o dedo enquanto aguardam na fronteira.

Se a incursão realmente ocorrer, e se a Otan não intervier, o que é improvável, uma vez que aí teríamos a tão esperada guerra atômica, a Rússia deve então ganhar novos territórios. Se não oficialmente, como o foi com a anexação da Crimeia, ao menos deve conseguir impor a federalização da Ucrânia, o que garantiria, segundo o raciocínio do governo russo, uma influência sobre o leste ucraniano.

Trocando em miúdos: a Rússia perdeu a influência sobre um país inteiro, mas tomou-lhe parte do território e deve manter a influência sobre outra parte. Além disso, demonstrou força e capacidade de iniciativa invejável para o mundo, enquanto vê os níveis de aprovação de seu presidente subir às alturas.

E em meio a tudo isso fico pensando sobre aquela teoria que diz que a bomba atômica impede guerras. Acho que esse é exatamente o caso, pois duvido que Estados Unidos, França e Reino Unido deixariam Putin sambar na Europa caso reagir contra a Rússia não significasse o fim do mundo.