O ano era o de 2000

11 11America/Sao_Paulo julho 11America/Sao_Paulo 2014

Tive a sorte de ter bem nascido. Tanto no aspecto de ter nascido em uma família economicamente bem estabelecida e estruturada, quanto por ter pais bastante lúcidos quanto à criação de seus filhos. Foram eles, por exemplo, que me colocaram em uma escola de música, quando mal tinha completado seis anos de idade.

Era uma escolinha na rua 1, próximo ao antigo pontilhão, que nem existe mais, depois de ter sido posto ao chão para dar lugar a um moderno trevo. A professora chamava Susi, filha da Maria José, ambas as quais até hoje vejo caminhar pelas ruas de Rio Claro. Era Susi quem me ensinava a arte de tocar teclado.

Daquelas aulas algumas vezes legais, algumas vezes entediantes, nunca me esqueci das notas de Top Gun (Dó-Sol-Sol-Fá-Mi-Fá-Mi-Ré-Ré-Do-Ré-Mi-Ré-Mi-Fá-Mi-Dó-Mi-Ré-Dó). Outra aprendida foi Carruagens de Fogo, e acho que o repertório parou por aí.

Porém, em uma dessas idas à escolinha de música, sempre às segundas-feiras no fim de tarde, houve o dia em que me foi dado a título de experiência um novo instrumento: o violão. Experiência que não poderia ter sido mais mal sucedida, umas vez que bastaram algo como 15 segundos para que eu tivesse pronto meu veredito sobre aquele complicado instrumento.

Pressionar as trastes, ao mesmo tempo que acertar as cordas – tratava-se de tarefas deveras sofríveis para um mirrado infante como eu era. Muito melhor o teclado, que pedia menos esforço, e o som ainda saía bem mais agradável, forte, bem delineado.

Ocorre que essa primeira experiência com o instrumento, felizmente, não foi a última. Anos mais tarde, tendo voltado de um ano de exílio no exterior, encontrei meus amigos no Brasil tinindo no início da adolescência, assim como eu. Entre os vários anseios em querer expressar uma nova identidade, estava o nascente gosto pela música, e com ele, a vontade insaciável de mostrar dotes no violão.

Não querendo ficar atrás de todos meus amigos, que esbaldavam Greendays e Nirvanas em seus Tonantes de madeira extraídas ilegalmente da Floresta Amazônica, logo fustiguei minha mãe a também me presentear com um modelo esculpido de provavelmente uma tora de Jacarandá. E lá fomos à Jog, loja de música referência da região adquirir também para mim um rijo e polifônico Tonante.

O ano era o de 2000, e o preço até hoje não me esqueço: exatos 100 reais.

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