Sobre a morte da Fórmula 1

6 06America/Sao_Paulo agosto 06America/Sao_Paulo 2014

F1 in Frankreich, Podium am Sonntag, Formel 1 Grand Prix (GP) von Frankreich 2002 (France, Nevers Magny - Cours)

A Fórmula 1 foi uma modalidade de competição (alguns a chamam de esporte) que ao seu tempo certo proporcionou boas emoções, ancorada em uma longa tradição e em grandes rivalidades, tendo até herói nacional gerado.

Mas eis que na década de 90 apareceu um piloto alemão que estragou tudo, instalando uma hegemonia que desapareceu com a graça do certame, e forçando a entidade organizadora a instituir uma mudança draconiana nas regras, no afã de restabelecer um mínimo de competitividade. O efeito colateral da medida foi a descaracterização total de treinos, corridas e do campeonato.

Eu, que cresci assistindo a Riccardo Patrese e a Gerhard Berger, perdi o interesse exatamente aí, e imagino que o mesmo tenha acontecido com milhões de outras pessoas que, se não o perderam na mesma época, o perderam durante os anos seguintes.

O desfecho desse melancólico processo é a notícia de que a Globo cogita parar com a exibição ao vivo das corridas – algo que sempre me soou impossível – e escanteá-las na Sportv, ao lado das transmissões da liga de futsal e do campeonato mundial de surfe.

Em suma, e por linhas bem tortas, Michael Schumacher foi o responsável por matar a Fórmula 1 – ironicamente, a mesma Fórmula 1 que ao longo de décadas também ocasionou a morte de tantos pilotos, como a do nosso próprio herói nacional.


O roubo que o curou

3 03America/Sao_Paulo agosto 03America/Sao_Paulo 2014

smartphone

Ele e seu smartphone eram unha e carne, ou bem mais do que isso, ainda que o aparelho não estivesse preso a seu corpo como sói com as unhas, apesar de que para um alienígena que acabasse de chegar a Terra e o observasse à média distância por uma boa dose de tempo é possível que achasse se tratar um a extensão do outro, assim como nossos membros o são em relação ao tronco.

Os motivos para isso vicejavam. Mal acordava, ainda na cama, checava os e-mails; na cozinha, enquanto uma mão segurava o copo de leite, a outra portava o aparelho; mesmo malabarismo feito no banheiro, sendo que neste, ao invés do copo, era a escova de dentes que cumpria o papel de distraí-lo da leitura do seu feed de notícias.

Não fora sempre assim, é bom dizer. O costume que lhe afetava o comportamento surgira paulatinamente, a conta-gotas, e por isso mesmo, imperceptível até mesmo para ele, o portador da disfunção.

Começara com um presente da mãe, que no intento de agradar-lhe, regalou-lhe com um smartphone dito “de entrada”, um ano antes, quando do dia de Natal. Mal sabia sua progenitora, porém, que, naquele momento, aquilo que fora pensado para ser um gesto de candura e boa fé traria consigo os germes de um vírus que logo se alastraria completamente pelo filho, contaminando sua rotina e hábitos, avariando suas relações sociais, criando, enfim, uma dependência que depois de um tempo até ele próprio gostaria de se livrar, a saber, o constante ímpeto de checar o micro ecrã quase que minuto-a-minuto, em busca de informação, interação e entretenimento, não necessariamente nessa ordem.

O pior é que quem o conhecesse coisa de uns dois anos antes jamais poderia imaginar que o garoto seria capaz de adotar hábito tão peculiar. Já em uma época em que as criações de Steve Jobs eram hypes e grassavam entre as mãos de seus pares de camada social, nunca se mostrou tocado pelas propagandas e promessas de um novo estilo de vida à aquisição de um iPhone ou produto que o valha. Muito pelo contrário, aliás.

Sempre fora das ruas, do pé preto que anda descalço pelo asfalto, da corrida, dos jogos de agilidade, do suor tão avesso ao sedentarismo e, por consequência, ainda que seja uma ilação não necessariamente verdadeira, à cultura digital. Enquanto os seus se regozijavam no Playstation, ele andava a trepar em árvores e a pular muros. Isso fora na infância, na juventude, como a que vivenciava, manteve esse fatídico traço de personalidade, sempre a preferir gastar seus caraminguás em outras coisas que não em celulares de última geração.

Em suma, era um rapaz assumidamente analógico, e por este predicado até era conhecido por alguns.

Ocorre que pessoas mudam, ainda que muitas, é provável que a maioria, continuem sendo as mesmas da tenra infância ao leito de morte, mesmo que diante de n possibilidades de se mudar para melhor. Em seu caso, mudara, mas, como já é possível de verificar, não para melhor.

De garoto analógico, tornou-se um dependente digital apenas poucas semanas após o presente materno, em um processo, como já dito, paulatino e invisível. No início, justificava-se o smartphone à mesa de jantar como sendo obra do fascínio pelo novo, e até aí tudo bem, já que o fascínio tende a ser algo passageiro, o que não foi o caso deste, que se metamorfoseou em algo vil, um vício por assim dizer, à medida que as críticas daqueles que o cercavam só faziam crescer, com acusações de que abandonara o convívio e o diálogo familiar em prol do pescoço inclinado, as mãos defronte ao tórax, juntas, com os braços estendidos e a segurar, quase que num gesto de adoração, o aparelho que lhe permitia viver uma realidade virtual, e, no caso, paralela.

Tais críticas, no entanto, não o incomodavam de início, e só veio a sentir algum mal-estar relacionado à questão em um certo dia, quando, no metrô, durante o trajeto da escola à casa, viu-se com seu smartphone com a bateria totalmente descarregada, fruto de um descuido próprio e imperdoável. Desta constatação até o ponto final de sua viagem, onde finalmente teria uma tomada ao alcance, restariam 15 minutos, durante os quais não teria aquilo que sempre usara para drenar suas atenções.

E foram os 15 minutos mais angustiantes, torturantes e estarrecedores de sua vida. Estava obrigado por todo aquele interminável período de tempo a fitar o nada, a ocupar a mente com algo parecido com o pensamento. De forma que, logo no dia seguinte, resolvera passar a carregar uma bateria reserva na mochila, com o intuito único de evitar a tragédia que apenas havia experimentado. 

Aquele episódio, no entanto, acabou servindo-lhe para instalar na mente, pela primeira vez desde o fatídico Natal em que fora presenteado pela sua mãe, algum rastro de preocupação, alguma sombra de desconfiança de que a sua relação com o seu tão bem-quisto smartphone, talvez, quem sabe, como já alertara seus próximos, fosse algo não muito saudável para si.

Mal sabia o garoto, a quem já podemos em breve chamar de rapaz, em vista do tempo que passara depois do episódio do metrô, que aquilo que classificou como tragédia seria visto como um pequeno e mero contratempo, como de fato o é para a maioria dos seres humanos, se comparado com o que lhe viria acontecer.

Era madrugada, e subia, sozinho e alcoolizado, uma rua semi-movimentada, após ter deixado uma festa com amigos, que às vezes lhe apetecia interagir com objetos animados, apesar da aguda dependência digital. Sozinho, alcoolizado, na madrugada – portanto vulnerável, pensaram, à espreita, dois indivíduos, não de forma racional, é claro, mas de um jeito instintivo, não-verbal.

É importante citar que tivera todas as chances de prevenir aquele crime que se avizinhava, caso houvesse optado por usar o dinheiro que carregava para retornar ao lar de táxi. Mas não optou, e os assaltantes levaram-lhe não só a carteira, mas também seu objeto de veneração maior.

Desta vez não seriam mais 15 minutos o período a lhe infligir penúria. A abstinência duraria sabe-se lá quanto, já que sua mãe, agora agindo com a prudência que lhe faltara tempos antes, lhe substituiria o aparelho roubado não com um exemplar idêntico, sequer com um parecido, mas sim por um outro analógico, sem opção de conexão de internet, apenas para fazer e receber ligações, além de servir de alarme.

Nos três primeiros dias após o crime, não pensara outra coisa que não no suicídio (até cogitou roubar, mas suas barreiras morais lhe eram pesadas em demasia). No quarto, viu que ainda estava vivo, e até se estranhou quando se pegou pensando em outra coisa que não no smartphone.

No sétimo já se permitira voltar a ter sonhos, no décimo já andava de metrô incólume, e no décimo-quinto se viu curado.

Azar das redes e dos sites notícias, que viu seus medidores de tráfego acusar uma ligeira queda.

Mas sorte de sua família, de seus amigos, e de seu cachorro, León, que passou, de um dia para o outro, a ser levado para passear diariamente, preso a coleira e puxado a duas mãos, por alguém que até outro dia estaria naquele mesmo horário, o cair do dia, e o surgir da noite, a retuitar links e stalkear gente pela internet afora.


O gol e a inconsequência

1 01America/Sao_Paulo agosto 01America/Sao_Paulo 2014

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Já eram 14 anos indo a estádios, mas não 14 anos ininterruptos, uma vez que em dois desses 14 anos havia abdicado de uma de suas atividades de lazer prediletas (ou será que se tratava de um “culto”, ou, ainda, uma “sessão terapêutica”?) em razão de uma gestão corrupta e incompetente, capitaneada por uma presidenta cujo período de mandato coincidira exatamente com esse seu tempo de abstinência, exatos dois anos, e que, incrivelmente, o tolhera toda a gana, a vontade, um pouco também da paixão por assistir in loco ao seu clube em ação.

Eram 20 minutos do segundo tempo e o relógio marcava 11 e meia da noite. Preocupava-o menos o placar, um dois a zero fácil e confortável, que a logística que seria necessária empreender para retornar ao seu lar caso seu plano A desse errado.

O plano A era retornar de metrô, simples assim. A questão que o amealhava os pensamentos era justamente a dúvida a respeito do tempo hábil existente para se alcançar o metrô, já que, lembremos, eram 20 do segundo tempo, com o relógio marcando 11 e meia da noite, e o metrô fechando dali a pouco menos de uma hora – à meia-noite e dezenove, segundo lhe disseram.

Restando aí ao menos 28 minutos de bola rolando, mais o processo de saída do estádio, e ainda o translado rumo à estação, o risco de seu plano A cair por terra era sério. A medida mais prudente, de longe, seria deixar o recinto com pelo menos 10 minutos antes do apito final, pois aí sim, na soma dos prazos, o tempo hábil para se alcançar o metrô sobraria.

Ocorre que em 14 anos indo a estádios – ainda que em dois desses 14 somente vira futebol pela TV – nunca, jamais deixara qualquer partida antes do derradeiro gesto do árbitro, aquele de levantar as mãos para o alto, para posteriormente apontá-las ao meio-campo, ao mesmo tempo em que assopra o apito. Tinha orgulho por esse hábito, enxergava-se detentor de grande proeza, esta de quedar-se sempre até o fim das pelejas, fazendo valer cada centavo do ingresso comprado, ao passo que nutria desprezo proporcional por aqueles que abandonavam o recinto antes da hora, como se partidas de futebol fossem descartáveis e passíveis de tamanha blasfêmia.

Só o fato de considerar essa herética hipótese por milésimos de segundo já lhe causou um mal-estar grande o suficiente para sequer pensar duas vezes: ficaria até o fim, aconteça o que acontecer. Ajudou-o ainda certa frase que uma vez ouviu, atribuída a um escritor, a de que no fim tudo dá certo, se não o deu, é porque não se chegou ao fim.

Pois até o fim ficou – não sem sentir certa agonia, é preciso dizer, sobretudo quando notou que parte considerável dos presentes fazia justamente aquilo que minutos antes havia ponderado, mas rechaçado com violência logo em seguida.

Aquilo o enraiveceu sobremaneira, mas desta vez a raiva não se dava por ver no gesto da multidão um ato de blasfêmia, cometido por meio-torcedores, e sim porque aquela evacuação antes da hora fazia crescer-lhe a sensação de que seu plano de retorno ao lar, lembremos, o retorno de metrô, poderia não se concretizar – e não havia plano B.

Mas seu orgulho era grande demais para quebrar uma marca que já durava 14 anos (descontados os dois que fora obrigado a se ausentar).

Ao fim e ao cabo, como já dissemos anteriormente, ficou, o que lhe permitiu ver os dois a zero tornarem-se três, após um pênalti convertido nos acréscimos, visto somente pelos bravos e verdadeiros torcedores, pensou.

Nunca comemorara tanto um terceiro gol de um três a zero de um jogo tão fácil.

Por trás da sublime euforia, jazia não mais o deleite pelo bem-sucedido placar, como se convém, mas sim a celebração do ato de inconsequência em nome de algo intangível e irracional, uma simples marca por assim dizer.

E era só mesmo o que lhe restava, isto de celebrar a inconsequência. Pois naquele dia não iria dormir em meio a lençóis, sequer voltaria para casa. Naquele dia, que já era um novo dia, pois já passava da meia-noite, rumaria ao trabalho inebriado pelo orgulho daqueles que com todos e tudo podem, ainda que vestido com as roupas do dia anterior.


O ano era o de 2000

11 11America/Sao_Paulo julho 11America/Sao_Paulo 2014

Tive a sorte de ter bem nascido. Tanto no aspecto de ter nascido em uma família economicamente bem estabelecida e estruturada, quanto por ter pais bastante lúcidos quanto à criação de seus filhos. Foram eles, por exemplo, que me colocaram em uma escola de música, quando mal tinha completado seis anos de idade.

Era uma escolinha na rua 1, próximo ao antigo pontilhão, que nem existe mais, depois de ter sido posto ao chão para dar lugar a um moderno trevo. A professora chamava Susi, filha da Maria José, ambas as quais até hoje vejo caminhar pelas ruas de Rio Claro. Era Susi quem me ensinava a arte de tocar teclado.

Daquelas aulas algumas vezes legais, algumas vezes entediantes, nunca me esqueci das notas de Top Gun (Dó-Sol-Sol-Fá-Mi-Fá-Mi-Ré-Ré-Do-Ré-Mi-Ré-Mi-Fá-Mi-Dó-Mi-Ré-Dó). Outra aprendida foi Carruagens de Fogo, e acho que o repertório parou por aí.

Porém, em uma dessas idas à escolinha de música, sempre às segundas-feiras no fim de tarde, houve o dia em que me foi dado a título de experiência um novo instrumento: o violão. Experiência que não poderia ter sido mais mal sucedida, umas vez que bastaram algo como 15 segundos para que eu tivesse pronto meu veredito sobre aquele complicado instrumento.

Pressionar as trastes, ao mesmo tempo que acertar as cordas – tratava-se de tarefas deveras sofríveis para um mirrado infante como eu era. Muito melhor o teclado, que pedia menos esforço, e o som ainda saía bem mais agradável, forte, bem delineado.

Ocorre que essa primeira experiência com o instrumento, felizmente, não foi a última. Anos mais tarde, tendo voltado de um ano de exílio no exterior, encontrei meus amigos no Brasil tinindo no início da adolescência, assim como eu. Entre os vários anseios em querer expressar uma nova identidade, estava o nascente gosto pela música, e com ele, a vontade insaciável de mostrar dotes no violão.

Não querendo ficar atrás de todos meus amigos, que esbaldavam Greendays e Nirvanas em seus Tonantes de madeira extraídas ilegalmente da Floresta Amazônica, logo fustiguei minha mãe a também me presentear com um modelo esculpido de provavelmente uma tora de Jacarandá. E lá fomos à Jog, loja de música referência da região adquirir também para mim um rijo e polifônico Tonante.

O ano era o de 2000, e o preço até hoje não me esqueço: exatos 100 reais.


Ostracismo social

2 02America/Sao_Paulo junho 02America/Sao_Paulo 2014

Há um certo pensamento romântico, que não se restringe somente aos velhos, mas também aos jovens, que costuma enxergar uma essência desumanizadora na relação social mediada pela internet. Segundo essa lógica, a internet tende a isolar o indivíduo ao invés de integrá-lo socialmente, e a interação online, à distância, é uma espécie de falsa interação. A sagrada e verdadeira interação seria a presencial, em que tocamos as pessoas e sentimos seu cheiro.

Pois conto um caso que acontece comigo.

Portador de um smartphone datado de quase três anos, infelizmente acabei me tornando uma vítima da chamada obsolescência programada. A partir de um determinado momento, meu aparelho passou a não mais comportar aplicativos que agora já são largamente utilizados pelas demais pessoas. Ele simplesmente trava caso tento instalá-los. Um desses aplicativos é o Whatsapp.

A princípio, pouco me importaria não ter o Whatsapp, uma vez que ainda conto com a função de SMS, que basicamente realiza a mesma tarefa. O problema reside, no entanto, no fato de que mais e mais as pessoas estão se comunicando por mensagens tão somente pelo Whataspp, a ponto de quase nunca utilizarem o SMS.

Essas pessoas, quando por ventura veem alguém de forma surpreendente tentando comunicação pela maneira antiga, não raro respondem com uma pergunta: “Você não tem Whatsapp?”.

Pois é essa resposta que mais e mais tenho recebido nas tentativas de comunicação via SMS. Some-se a isso o testemunho, com os próprios olhos, de pessoas se comunicando por Whatsapp em mesas de bares e em seu local de trabalho, articulando encontros e programas com uma dinâmica sem precedentes, e lá bate a sensação que imagino que minha vó tenha toda vez que chega à sala e vê eu, meu irmão e minha mãe imersos em seus notebooks, tendo só minha cachorra olhando para ela: o ostracismo social.

É exatamente isto que estou sentindo, e com ele, a pressão por adquirir um smartphone novo, só para voltar a me sentir integrado novamente com meus pares.

Meu caso é uma prova de que a ausência de uma das faces da internet na vida de uma pessoa, ao contrário dos que os românticos dizem, tem uma capacidade bastante considerável de gerar uma forma de isolamento. Ainda que por meios tortos, mas tem.


Bibliotecas

19 19America/Sao_Paulo maio 19America/Sao_Paulo 2014

Bibliotecas, para mim, sempre tiveram uma conotação de espaços pró-forma – isto é, a sua existência apenas se dava tão somente para se dizer que se havia uma biblioteca. Por muito tempo, talvez desde quando passei a ter internet, e os trabalhos de escola passaram a ser possíveis de serem feitos de casa, não conseguia ver utilidade alguma nelas.

Pessoas que tiram livros? Não conhecia nenhuma. Na minha cabeça, só alguém muito estranho para fazer isso – gente extremamente nerd, de hábitos completamente estranhos.

Mas depois envelheci e eu mesmo passei a ter hábitos estranhos – como gostar de ler. E aí redescobri a biblioteca como um lugar para se ler sem precisar gastar dinheiro.

E aí voltei a frequentá-las. E descobri que não, não se tratam de espaços pró-forma, muito pelo contrário.


O frio vem que vem

12 12America/Sao_Paulo maio 12America/Sao_Paulo 2014

Há quem se deleite com a chegada do frio. Eu não. Odeio dormir de meias e com camisa de manga longa. Odeio vestir blusa pra sair. O desconforto pós- banho quente. A roupa que demora dias pra secar. O calor não. O calor é dormir mínimo, é o chinelo nos pés, a regata. Não falo, obviamente, do calor extremo – nenhum extremo é bom. Mas entre os dois extremos, calor e frio, fico com o calor. Há quem fique com o frio. Eu compreendo, mas acho estranho. De um anti-tropicalismo que salta aos olhos. Sou mais o torso nu ao edredon.